Aquela promíscua e descreditada personagem da série The Sex and The City, ainda sobrevive no meu fabuloso habitáculo de cabelos L'óreal. Aceito que tenha tido momentos mais taciturnos, mas garanto que o hedonismo continua a ser o fim de todo este árduo trabalho e da minha razão de pisar terra firme assim que abandono a cama (minha ou não, isso são coisas que não interessa nada!).
Já vejo os precendentes do dia 8 de Março, tal nevoeiro que precede a chegada de D.Sebastião sentadinho no seu cavalo imaculado. E não gosto nada disso. Feminista?! Credo, tenho maneiras, não sou rude nem selvagem, faço a depilação com cara alegre, tremo só de pensar no dia em que calçarei uns Louboutin verdadeiros, acho que a base é um bem essencial tal como os cotonetes e não me aborrece nada que seja o espécime masculino a pagar a conta. Aceito a diferença como um dado adquirido, não aceito é a diferença de estatutos, deveres, direitos e expetativas. Como é que um ser que consegue caminhar com dois saquinhos moles de quelque chose e uma nabiça no meio bem entre as coxas, consegue ser igual a nós?! NEVER MY FRIENDS!!! Com isto não quero dizer que um seja acrescido de algo e o outro diminuido, antes pelo contrario, somos ambos os dois (os sexos) fatalmente empíricos e ambos capazes das mais extraordinárias coisas (tocar com o pé na omoplata é uma delas, e os espécimes com aquela parafernália de coisas no meio das coxas, também conseguem, garanto), vai daí que, e por mais um ano consecutivo, não compreendo por que caralho tem de haver um dia designado especificamente para as mulheres. Como há para às árvores, como há para a SIDA, como há para a mãezinha e para o paizinho, como há para os animais, como há para os doentes trissómicos (não ofendam que não estou a minimizar). Seremos assim tão "especiais"?! Indo ao fundo da palavra "especial" ao seu próprio âmago, não será terrivelmente machista e preconceituoso terem nos nós, mulheres como seres "especiais"? Gosto de ser especial de corrida, claro que gosto, mas não com esta conotação que o dia 8 de Março dá. E há aulas especiais para as senhoras nos ginásios. E o comércio inventa produtos mirabolantes para celebrar o dia, há descontos em perfumes e flores, há patrões que dão fores, há restaurantes cheios de mulheres histéricas, muitas delas nos enta que parecem autênticas caloiras em noite de bota-abaixo. Frustrante. É frustrante porque as mulheres não percebem isto, ainda dizem que é o dia delas. E anda aqui uma gaja a abrir mentalidades, a aclamar o espírito/pensamento livre (Oh Captain, my Captain) e as tontinhas, lá fica contentinhas porque uma vez no ano os homens se lembram delas, e se as àrvores têm direito, porque não elas também?! Enquanto houver esta ignorante felicidade no dia 8 de Março, os homens vão sempre ser mais bem pagos que nós, vão sempre ser mais ouvidos que nós, vamos ter sempre esta obrigação de sermos subservientes, de deitar os meninos, de meter a mesa, de estarmos deliciosamente apetecíveis todas as noites (não é que não o esteja, só não gosto de pensar que há pessoas que acham que devem de estar e outras que têm mesmo de estar) e de ouvirmos piropos sempre que passemos à frente de um grupo de mais de um homem (mesmo que na cabeça tragamos uma toalha enrolada e no corpo uma carpete de arraiolos).
Entendem isto amigas?
Ainda sou a Samantha. Gosto muito dos outros, nada contra, tudo a favor à mistura, cowboiada, rock, movimentos em conjunto, troca de salmonelas tudo tudo. Não gosto é de saber que um se acha mais que o outro, e que as outras ajudam em muito para que isso aconteça.

somos muito diferentes. e isso funciona como um íman terrível que nos atrai e nos vicia. e no sermos os dois muito diferentes, acabamos por sermos iguais, na nossa diferença. encantador.
















